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Novo tratamento contra o câncer melhora a qualidade de vida dos pacientes

No 4º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer, em SP, os oncologistas Drauzio Varella e Pedro de Marchi falaram sobre a terapia alvo molecular. O novo tratamento para o câncer utiliza dos glóbulos brancos do paciente para destruir as células cancerígenas e evitar que elas se espalhem.

O tratamento é personalizado para cada paciente, uma mistura sob medida para trazer melhores efeitos.

Primeiro o oncologista estuda o tipo de câncer e vê se o tumor pode ser combatido com esse tratamento. Em seguida, é feita a mistura do medicamento Car-T com os glóbulos brancos do paciente e informações genéticas das células defeituosas. Depois de aplicado o Kymriah, nome comercial para o medicamento, ele identifica e combate o tumor.

A nova droga foi aprovada pela FDA (Food and Drug Administration) e foi introduzida no mercado pela marca Farmacêutica suíça Novartis. Um teste com 63 pacientes revelou uma remissão significativa em 83% dos participantes.

O novo tratamento contra o câncer retira a sombra da morte que pairava essa doença durante anos. Hoje mulheres com câncer de mama, por exemplo, conseguem viver entre 10 a 15 anos com a doença com qualidade de vida.

Até mesmo o tratamento para dor dos pacientes já sofreu avanços, diminuindo os efeitos colaterais e problemas que eles passam durante a quimioterapia. Mas o avanço na indústria não é só flores.

Os desafios do novo tratamento contra o câncer

Embora seja um grande avanço da indústria farmacêutica no tratamento de diversos tipos de câncer, a comemoração completa ainda está longe de acontecer. Isso por que o novo tratamento enfrenta algumas dificuldades para entrar em ação.

A primeira delas é, sem dúvida, o aspecto financeiro. Os exames exigidos para adotar o tratamento e a personalização da droga custam muito caro. O que seria inviável para ser adotado no SUS (Sistema Único de Saúde) e na própria rede de saúde suplementar.

Só para se ter uma ideia, o tratamento de um único paciente com a Kymiria pode custar US$ 475 mil dólares, ou 1,5 milhões de reais.

Outro fator que tem deixado os oncologistas preocupados é que nem todos os tumores podem ser tratados com a terapia alvo molecular. Alguns cânceres podem desenvolver resistência ao tratamento e em outros casos o paciente pode ter efeitos colaterais.

Embora seja um tratamento menos invasivo que a quimioterapia, a terapia molecular ainda está um pouco longe de se tornar realidade no Brasil. De qualquer forma, é um grande avanço da indústria para tornar o tratamento do câncer mais fácil e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.