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A crise tem remédio?

Em 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 3,9%, um resultado expressivo, considerando que o crescimento foi sobre o PIB de 2010, que havia registrado alta de 7,5%. De lá para cá, a economia sofreu um revés. A crise econômica mundial chegou com força aos emergentes em 2012, pegando o Brasil no contrapé.

Para enfrentar os novos desafios, o governo lançou mão da mesma estratégia adotada na crise de 2009, incentivando o consumo interno. Cortou impostos de alguns setores, baixou juros, reduziu a conta de luz, segurou artificialmente o preço da gasolina. O Tesouro se endividou para inflar os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), visando alavancar determinados grupos empresariais.

No primeiro momento, conseguiu segurar os empregos; a renda e o consumo reagiram. Mas durou pouco. O longo período de corte de impostos levou a uma deterioração das contas públicas, armando a inflação e desarrumando a economia. No ano passado, os sinais de esgotamento do modelo eram evidentes, mas o governo manteve a estratégia.

Não bastasse isso, as eleições acirraram os embates políticos, que persistiram mesmo depois do resultado, gerando uma crise política gigantesca com reflexos diretos na economia. Tudo isso somado, incluindo na conta os reflexos da Operação Lava Jato, que travou novos investimentos em infraestrutura, fizeram o Brasil parar.

A estimativa dos economistas é de que a economia brasileira feche 2015 produzindo o mesmo que em 2011. Ou seja, o País perdeu quatro anos. “As soluções dadas para as crises de 1999, 2003 e mais recentemente a de 2008 foram basicamente medidas de curto prazo, sem as reformas estruturais que permitissem a retomada do crescimento de forma sustentável”, observa o diretor da Direto Consultoria, Silvinei Toffanin. “O desequilíbrio fiscal dos últimos anos decorre em boa parte dos excessos e erros da política econômica dos últimos seis anos, o que implica em um aumento dos gastos públicos em taxa superior relativamente ao crescimento da renda nacional.”

Com mais um resultado negativo do PIB (queda de 4,5% no terceiro trimestre de 2015, em relação a igual período de 2014) e a redução de 15% nos investimentos no terceiro trimestre de 2015, o País está tecnicamente em recessão e, em termos globais, só ganha da Ucrânia, que viu seu PIB encolher 7% no período, por conta da guerra civil. Mesmo a Rússia, que enfrenta embargo econômico, teve queda menor, de 4,1% no PIB.

Previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que a economia brasileira terá retração de 3% em 2015 (o mercado prevê que pode haver retração até maior, de até 3,5%) e de 1% em 2016 – os mais pessimistas apostam em queda de até 3,5%, principalmente se a crise política continuar a travar a economia.

“Estima-se que a queda do PIB ultrapassará a marca de 3% em 2015 e as consequências de todos os problemas atuais ainda estão por vir: dívida pública elevada, taxas de juros lá em cima, inflação maior do que dois dígitos, desemprego se acelerando, perdas de renda, queda no consumo e no investimento público e privado, fatores que podem provocar uma crise ainda maior em 2016”, afirma a professora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Candido Mendes de Campos dos Goytacazes (UCAM-Campos), Lia Hasenclever.

Para ela, a crise política influencia profundamente a economia pela falta de confiança, que acirra o pessimismo dos empresários para novos investimentos e impede que o governo consiga colocar em pauta uma agenda positiva capaz de propor investimentos públicos importantes capazes de devolver a confiança aos empresários e puxar a economia para novo ciclo de crescimento.

Projeções para o novo ano

A crise pela qual o País passa atualmente é, acima de tudo, uma crise de credibilidade, destaca o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Thiago Carvalho. “A insistência em uma política econômica que privilegiou o aumento do consumo e dos gastos do governo acabou resultando em um quadro de inflação elevada, desequilíbrio das contas públicas e externas, juros altos, crédito caro, enfim, um conjunto de variáveis econômicas que impactaram negativamente nos indicadores de confiança tanto de consumidores quanto de empresários.”

O baixo nível de confiança resulta em um consumidor mais cauteloso em consumir e em um empresário a investir. Assim, a FecomercioSP projeta para 2015 uma retração de 3,0% no PIB.

“Para piorar, o ambiente político está bastante hostil, com enormes dificuldades para o governo fazer maioria e aprovar as reformas necessárias. Isso somado, é improvável uma recuperação em 2016.” Um sinal de reação somente virá quando ficar evidente que as reformas serão aprovadas, avalia Carvalho, e calcadas em sólidas bases que promovam e incentivem os investimentos, e não apenas se redundem em aumento da carga tributária.

“O ano de 2016 também será difícil, sobretudo se não sairmos desse círculo vicioso embate político-economia travado. Quanto mais tempo levar a crise política, mais demora para o País voltar aos trilhos e retomar o crescimento”, observa o presidente do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar/FIA) e do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Cláudio Felisoni de Angelo.

“Alguns analistas têm considerado que é importante incentivar a exportação já que o fato positivo para aumentar a competitividade das empresas brasileiras no mercado externo é a desvalorização cambial ocorrida com o aumento do dólar”, analisa Lia. “Entretanto, devemos nos lembrar de que, se temos preços competitivos para exportar, nos falta mercado, já que o mundo encontra-se também em crise. Então, seria a hora de voltarmos ao crescimento para atender às enormes demandas internas de nossa sociedade, como saneamento básico, infraestrutura, habitação, saúde e educação, áreas em que a sinalização pública sobre tais prioridades poderia desencadear investimentos importantes para a retomada da economia em um patamar superior de desenvolvimento”, sugere a professora.

Indústria é o setor com o pior desempenho, pois além das quedas de produção em 2015, já vinha com baixo desempenho em anos anteriores, ou seja, continua em queda com base em momentos de desempenho baixos. Enquanto em 2014 a indústria acumulou queda superior a 3% no volume de produção, as perspectivas mais positivas para o segmento em 2015 continuaram revistas para baixo. No início de 2015, apostava-se em crescimento entre 0% e 1% apenas. No terceiro trimestre, os dados mostraram uma forte queda da produção, chega-se a -7,4% até setembro de 2015 e a -10,9% em relação ao mesmo período de 2014.

“A alta do dólar, o aumento dos juros, a desaceleração do consumo impactaram bastante o planejamento das empresas, em particular a indústria”, enfatiza o professor do núcleo de negócios do varejo da ESPM, Gean Martins. Os empresários vivem, segundo ele, um momento de desconfiança. Em termos práticos, isso leva a uma otimização dos recursos, revisão do plano de expansão e, por consequência, maior cautela para adquirir dívidas.

“Um fato político positivo e impactante pode melhorar o cenário, mas não acredito nisso em curto prazo. Creio mais na força do empresariado, que cria suas estratégias e táticas para sair deste cenário econômico”, diz Martins.

Reflexo no segmento

“Temos bons índices que nos mostram oportunidades, como recorde na produção e exportação de soja, crescimento de bens de consumo premium e elevação de dois dígitos do mercado farmacêutico”, explica Martins.

Este setor é, de fato, um ponto fora da curva em relação à economia brasileira. Segundo dados do IMS Health, a indústria farmacêutica deverá ter suas vendas elevadas em 8,2% em unidades e 14,8% em faturamento no ano (dados até outubro último). Os números não são muito diferentes do mesmo período de 2014 em relação ao ano anterior: crescimento de 8,8% nas vendas unitárias e de 14% na receita.

Impacto no setor?

Assim como os outros ramos de atividade no Brasil, a indústria de medicamentos também sofreu com a crise. “No fim de 2014, prevíamos para o ano seguinte um crescimento do mercado farmacêutico de 12% a 15%. No primeiro semestre de 2015, o setor sentiu menos, mas a partir do segundo semestre, começamos a ver uma queda de vendas. Os dados consolidados do ano devem apontar um desempenho abaixo da inflação, com crescimento em torno de 8%”, revela o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini.

Também os investimentos das farmacêuticas podem ser afetados, sobretudo pela elevação do dólar, uma vez que a maioria dos insumos é importada. “Quando a taxa de dólar está baixa e surgem indícios de que pode subir, é possível fazer contratos de hedge – comprar dólar futuro a um preço menor, é uma aposta que se faz. Mas quando a taxa de dólar fica tão alta, batendo na casa dos R$ 4,00, dificilmente há algum tipo de seguro a fazer”, diz Mussolini, lembrando que, para não se contaminar com a crise, o setor farmacêutico lança mão de algumas estratégias.

“A única saída que as firmas têm é reduzir seus custos. Temos notícias de empresas que pretendem praticamente zerar os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) próprios de novos produtos em 2016. Querem trabalhar mais com licenciamento de produtos que venham do exterior ou no lançamento de similares e genéricos”, afirma Mussolini.

Isso porque, segundo o executivo, a pesquisa demanda muito dinheiro. “Depois de reduzir investimentos em P&D, se a queda das vendas continuar, provavelmente as empresas terão de mexer na folha de pagamentos. Quanto aos lançamentos programados, estes demandam verbas de investimento. Se a rentabilidade estiver baixa, dificilmente haverá grandes lançamentos. A não ser aqueles que são feitos mundialmente. É possível que as empresas locais tenham mais dificuldade”, acredita o executivo.

Capital humano

Outro aspecto da crise está relacionado com a movimentação de executivos. Há informações de que empresas estão substituindo diretores de alto escalão por profissionais com menos experiência de mercado, para reduzir custos.

“Não tenho notícia de que isso tenha acontecido na indústria farmacêutica. Acho inclusive que, em momento de crise, precisamos de executivos com larga experiência. A informação que tenho vai na contramão dessa. Sei que executivos mais experientes estão sendo procurados, como consultores ou para integrar o quadro de funcionários das empresas, para enfrentar inflação e juros altos, questões com as quais não nos defrontamos nos últimos dez anos e que estes executivos viveram no passado. Essa experiência agora vai somar para acalmar os ânimos dentro das companhias”, salienta Mussolini.

Para a diretora da Asap Recruiters, de recrutamento de executivos, Gabriela Soave, em época de crise, há muitas movimentações, principalmente no que se refere ao meio da pirâmide, ou seja, posições de média e alta gerência. “Essas reestruturações são motivadas pelo custo, mas também pela performance. Os líderes são os talentos mais necessários e mais valorizados em momentos de incertezas. Mas, nestes momentos, todos os funcionários, independentemente de nível hierárquico, tornam-se líderes.”

Apostas da indústria

Apesar da crise, dos problemas estruturais do País, muitos analistas internacionais apontam que ainda vale a pena investir no Brasil. Não por acaso, uma das gigantes mundiais em cosméticos, a francesa Coty, anunciou, em novembro passado, a compra da divisão de cosméticos da Hypermarcas, por R$ 3,8 bilhões. A empresa não apostaria esse montante se não acreditasse na melhora da economia no médio e longo prazo.

Já a Hypermarcas, por sua vez, aposta firme no crescimento do setor farmacêutico, onde deve concentrar forças. “O Brasil passou da décima para a sexta posição no mercado farmacêutico mundial e, para o ano de 2016, acredita-se ainda que alcance a quarta posição, segundo projeção do IMS Health e da Organização Mundial de Saúde (OMS)”, afirma em nota a Associação Brasileira das Empresas do Setor Fitoterápico, Suplemento Alimentar e de Promoção da Saúde (Abifisa), destacando que o segmento apresentou crescimento em torno de 8%, em 2015, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Mesmo com as dificuldades, para a instituição, 2016 será mais um ano de inovação e expansão de atividades. “Momentos de instabilidade também são oportunos para novas alianças. É natural que aconteçam aquisições e fusões tanto no varejo farmacêutico quanto no mercado industrial, o que favorece a competitividade das empresas e possibilita a conquista de novos consumidores”, diz a Abifisa.

Para Mussolini, o Brasil é um mercado atraente para a indústria farmacêutica por uma série de razões. “Primeiro, pelo número de vidas que temos no País. Somos mais de 200 milhões de pessoas que necessitam de saúde, a exemplo de outros países populosos, como China e Índia. O Brasil também é um mercado atraente porque a Constituição diz que o governo deve suprir saúde para todos. Acreditamos seriamente que um dia o governo cumprirá a sua parte.” A perspectiva de incremento das compras governamentais de medicamentos, segundo Mussolini, é outro aspecto que torna o mercado farmacêutico brasileiro atrativo.

Segundo analistas, a indústria farmacêutica instalada no Brasil deve manter fôlego até a crise passar, mantendo crescimento mesmo durante o ciclo negativo. “As crises no Brasil não são duradouras. Se a atual não se encerrar em 2016 ou 2017, em 2018, com a eleição de um novo governo, terá fim. Não tenho dúvidas de que o Brasil vai melhorar. Sempre tivemos bons fundamentos econômicos. Eles foram perdidos em razão do que aconteceu em 2014, o que é preocupante, mas acredito que a área de saúde continuará a atrair investimentos, ainda que não no mesmo ritmo de anos recentes”, diz Mussolini.

Martins, da ESPM, concorda. “Acredito que, pelo bônus demográfico que estamos colhendo com mais pessoas economicamente ativas, envelhecimento da população com mais opções para prolongamento da vida e maior profissionalização do setor, a indústria farmacêutica terá fôlego, pois ainda estamos no meio desta mudança.”

“O ano de 2015 foi de ajustes, devido à situação econômica do País”, explica o gerente de marketing da Aspen Pharma, Jackson Figueiredo. “Tivemos de buscar alternativas para manter a rentabilidade do produto, criando soluções que gerem menos impacto no negócio e no consumidor, mesmo com aumento de custos, como da matéria-prima, inflada pela alta do dólar. Mantemos nosso investimento no Brasil, onde atuamos há seis anos”, afirma, lembrando que a empresa prevê investir R$ 20 milhões em 2016.

“A partir do próximo ano, a companhia vai continuar olhando possíveis aquisições e também pretende lançar produtos desenvolvidos em seus centros.” A Aspen Pharma encerrou o ano fiscal 2014/2015 no Brasil com R$ 170 milhões de faturamento e alta de 42% em vendas. Para 2015/2016, a estimativa é de uma receita de R$ 220 milhões.

Nichos de atuação

O laboratório Cristália acredita na progressiva independência do setor farmacêutico brasileiro das importações para aquisição de insumos. “Estamos nos preparando há muito tempo com visão de longo prazo, nunca fomos imediatistas”, revela o presidente do Cristália, Ogari Pacheco, destacando que a empresa começou a investir em biotecnologia há mais de 15 anos.

“Estamos começando a colher os frutos agora. Para 2015, havíamos planejado a construção de duas plantas, de Citostáticos e a de Peptídeos. A planta de Citostáticos está pronta para a produção de Insumos Farmacêuticos Ativos, usada em medicamentos oncológicos. Porém, tivemos de adiar a finalização da unidade de Peptídeos. A planta está pronta, mas tivemos de postergar a construção. Em paralelo, os nossos pesquisadores estão trabalhando em análises e desenvolvimento de substâncias e moléculas, para que, quando a construção for finalizada, já tenhamos o que produzir”, diz Pacheco.

Hoje, a empresa produz 50% dos insumos que utiliza nos medicamentos. Outra saída para a crise seguida pelo laboratório é aumentar a escala, investindo em exportação. “Por isso, compramos, em 2011, uma empresa na Argentina que já tinha tradição exportadora.”

Quem também aposta nas exportações para ajudar no crescimento é a EMS. Apesar da desvalorização do real frente ao dólar, que dificulta e encarece a importação de matéria-prima, o câmbio é favorável para aumentar as exportações. As vendas ao exterior da EMS representaram 2% do faturamento da empresa em 2014, mas a meta é aumentar esse número para 20% em dez anos”, revela o vice-presidente Institucional da EMS, Marcus Sanchez, acrescentando que a empresa deve fechar 2015 com crescimento total de 20% a 25%. O laboratório tem investido de maneira constante em infraestrutura fabril e não pretende interromper isso.

Perspectivas anunciadas

Para 2016, a Novartis projeta crescimento em linha com o setor farmacêutico e promete manter investimentos, inclusive na área de pesquisa. “A pesquisa clínica é a base do negócio da Novartis. Globalmente, a companhia segue com investimentos de cerca de 20% de suas vendas em inovação e se mantém entre as dez empresas que mais investem em P&D no mundo.

No Brasil, o grupo segue com investimento robusto na área de P&D, com investimentos de mais de R$ 170 milhões nos últimos três anos e beneficiando em torno de 25 mil pacientes”, salienta o presidente do Grupo Novartis Brasil, José Antônio Vieira, destacando também a boa performance que a Sandoz, divisão de genéricos do grupo, que apresentou aumento real de 40%, quando comparado com 2014. “A projeção para 2015 é de que a fábrica da divisão, localizada em Cambé, feche o ano com crescimento de 24% no volume de comprimidos produzidos no comparativo com 2014.”

A Sanofi também anuncia que manterá os investimentos em pesquisa. Segundo o diretor-geral da empresa, Pius Hornstein, o grupo pretende atingir € 6 bilhões de investimentos anuais em P&D até 2020. “No Brasil, temos um centro de estudos clínicos que conduz, em média, 80 estudos por ano. Produzimos localmente 95% do que comercializamos no País e nosso portfólio de produtos em desenvolvimento é em sua maioria formado por biológicos, ou seja, medicamentos que envolvem complexidade em seu desenvolvimento e são dirigidos a necessidades específicas dos pacientes. Esperamos crescer, em 2016, com a chegada de importantes lançamentos, como a vacina contra a dengue e a chegada da nova geração de insulina de longa duração.

“Com fábricas já instaladas em São Bernardo do Campo e em Hortolândia, em São Paulo, a EMS vive o maior plano de expansão de sua história, com investimentos que superam os R$ 600 milhões. Além da moderna e robotizada unidade de embalagem de medicamentos sólidos, inaugurada em 2013 em Hortolândia, e da planta de Jaguariúna, inaugurada em 2014, a empresa pretende se instalar, até 2017, em Brasília. A fábrica produzirá antibióticos e hormônios”, afirma Sanchez.