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Anvisa e CFF alertam para riscos de automedicação em tempos de pandemia

A automedicação na pandemia está sendo um problema grave de saúde pública no Brasil. Muitos medicamentos foram utilizados indiscriminadamente sem eficácia comprovada, o que pode trazer riscos ao paciente. Por isso a Anvisa divulgou no começo de abril um comunicado alertando sobre os riscos de se automedicar.

O comunicado 003/2021

O comunicado da Anvisa foi divulgado em 04 de abril de 2021 e tem como objetivo informar sobre os riscos da automedicação em tempos de pandemia. O documento está alinhado com o Terceiro Desafio Global para a Segurança do Paciente da OMS, que deseja diminuir casos de efeitos adversos pelo uso irresponsável de fármacos até 2022.

Segundo o órgão internacional, reações adversas por conta de um uso inadequado de medicamentos custam aproximadamente 42 bilhões de dólares todos os anos. Essas reações podem causar danos à saúde do paciente, internação, prolongar o tempo de hospitalização ou até mesmo levar ao óbito.

O uso racional do medicamento

Nesse contexto, o comunicado 003/2021 aponta para a necessidade do uso racional dos medicamentos. O uso racional implica que os pacientes devem receber medicações adequadas para suas condições clínicas em doses seguras, por um período determinado e ao menor custo para ele e a comunidade.

Durante a pandemia, vimos o inverso disso acontecer, os medicamentos do chamado “kit Covid” foram utilizados indiscriminadamente por vários pacientes sob a justificativa de um tratamento precoce, o que não possui comprovação científica. As vendas de hidroxicloroquina, por exemplo, tiveram alta de 173% em fevereiro de 2021 se comparado com o mesmo período de 2020.

E os impactos do uso não racional destes medicamentos já podem ser percebidos. Segundo os dados do Painel de Notificações de Farmacovigilância da Anvisa, as notificações de efeitos adversos da cloroquina saltaram de 139 em todo o ano de 2019 para 1.055 no ano de 2020.

A necessidade da notificação de efeitos adversos

Assim como alerta para a automedicação na pandemia, o comunicado também fala sobre a importância da notificação de efeitos adversos relacionados ao uso de medicamentos ou aplicação de vacinas. O canal para a realização das notificações deve ser o VigiMed.

O documento ressalta que para informar efeitos adversos não é necessário a comprovação do vínculo entre a medicação e o evento. É possível realizar uma notificação mesmo que seja apenas uma suspeita. A Anvisa afirma que essa é uma forma dos pacientes e profissionais de saúde participarem do monitoramento e identificação de novos riscos.

O CFF reforça a importância do uso racional de medicamentos

O Conselho Federal de Farmácia reforça o entendimento do uso racional exposto no comunicado 003/2021 da Anvisa. Ressaltando também a importância do papel do farmacêutico no cuidado à saúde do paciente. Portanto esse profissional deve contribuir alertando sobre os riscos da automedicação na pandemia aos consumidores.

Conclusão

O comunicado 003/2021 da Anvisa expõe a importância do uso racional de medicamentos e os perigos da automedicação na pandemia. Além de indicar um canal para notificar efeitos adversos, o VigiMed. O CFF reforça o entendimento exposto no comunicado e a importância do farmacêutico contra o uso abusivo de medicações.

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Fonte:

- https://panoramafarmaceutico.com.br/2021/03/26/venda-de-medicamentos-sem-eficacia-comprovada-contra-covid-tem-alta-alarmante/
- https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2021/anvisa-alerta-para-riscos-do-uso-indiscriminado-de-medicamentos/20213103_comunicado_ggmon_003_2021.pdf
- https://www.cff.org.br/noticia.php?id=6278&titulo=CFF+alerta+popula%C3%A7%C3%A3o+sobre+o+uso+de+medicamentos
- https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/03/28/venda-de-remedios-do-chamado-kit-covid-dispara-e-medicos-alertam-para-efeitos-colaterais.ghtml
- https://www.gov.br/anvisa/pt-br/acessoainformacao/dadosabertos/informacoes-analiticas/notificacoes-de-farmacovigilancia