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Aprovado primeiro medicamento contra o Alzheimer nos EUA

Um novo fármaco para tratar pacientes com Alzheimer foi aprovado pela agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a Food & Drug Administration (FDA).

O medicamento, denominado Aduhelm, da empresa Biogen Inc., surgiu com a premissa de combater o declínio cognitivo provocado pelo Alzheimer.

Estaria neste fármaco a esperança para a cura da doença? Continue a leitura para entender melhor o assunto.

Entre a controvérsia e a esperança

A primeira infusão do medicamento foi administrada em um hospital dos Estados Unidos. No entanto, gerou controvérsia entre os médicos e o sistema de seguro social de saúde para idosos dos EUA, o Medicare.

A polêmica gira em torno da aprovação da droga, sua atuação e quanto ela vai custar para os pacientes.

Ademais, isso não impediu a administração do tratamento em pacientes, como o primeiro (com 70 anos) a ser tratado com o Aduhelm, fora de um ensaio clínico. Sua infusão ocorreu em Providence, no Programa de Envelhecimento e Memória do Butler Hospital.

O professor de neurologia da Brown University Medical School, Stephen Salloway, afirmou que o programa do Hospital Butler tem cerca de 100 pacientes que provavelmente são bons candidatos para o medicamento administrado em infusão intravenosa mensal.

A droga foi liberada sob aprovação acelerada pela FDA com fundamentos na redução das placas cerebrais, provavelmente um dos indícios que contribuem para o Alzheimer, e testada em pacientes nos estágios iniciais da doença - mesmo sob forte objeção dos especialistas.

"Esperançosamente, os médicos seguirão as diretrizes dos ensaios clínicos, porque realmente não temos nenhuma evidência [da eficácia] em pacientes com Alzheimer mais avançado", disse Salloway.

Atuação do fármaco Aduhelm

O Aduhelm tem como proposta remover os depósitos de uma proteína chamada beta-amiloide presente no cérebro de pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer.

Especialistas acreditam que o acúmulo dessa substância no tecido cerebral é uma causa subjacente da doença, já que o mesmo ocorre conforme o sistema imunológico envelhece.

Custo elevado X acessibilidade

De um lado, resultados questionáveis do teste e seus potenciais efeitos colaterais. Do outro, o início imediato da administração do novo medicamento em pacientes. Assim, o fármaco divide opiniões entre o painel de médicos especialistas.

Uma das formas mais comuns da doença, a demência chega a afetar entre 30 e 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

O Alzheimer consiste em uma degeneração progressiva do tecido cerebral. Seus primeiros sinais começam, geralmente, após os 65 anos.

Além disso, acomete funções cerebrais, como memória, linguagem, cálculo e comportamento, levando o paciente a uma dependência para executar suas atividades de vida diárias.

A Biogen estimou que cerca de 1,5 milhão, das 6 milhões de pessoas nos Estados Unidos, teriam Alzheimer em estágio inicial.

Com preço médio estabelecido de US$ 56.000 por ano, o fármaco enfrenta um longo caminho até sua total acessibilidade, todavia, a Associação de Alzheimer se manifestou, dizendo ser "simplesmente inaceitável".

A cobertura seria realizada pelo programa federal de saúde Medicare, mesmo que isso agrave e torne mais desafiadora a equidade no futuro, conforme preveem especialistas.

De acordo com a revista Science, um novo estudo submeteu participantes a doses mais altas de Aduhelm, apresentando uma redução de 22% no declínio cognitivo dos voluntários.

Isso nos mostra que a droga pode promover benefício clínico, porém a agência reconheceu que "estudos com pacientes em estágio inicial do Alzheimer ainda 'deixaram incertezas residuais' em relação a tal vantagem" - devemos aguardar possíveis desdobramentos acerca do assunto.

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Fonte:

- https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/06/17/primeiro-paciente-recebe-medicamento-controverso-contra-alzheimer-nos-eua