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Como cientistas estão simplificando o monitoramento de remédios no organismo?

Uma nova técnica promete detectar a presença e determinar a concentração de remédios no organismo de uma pessoa de forma rápida e barata.

O método foi desenvolvido pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e exige uma quantidade bem menor de amostras de urina, sangue ou saliva, permitindo mais agilidade em exames médicos ou perícias em caso de intoxicações por uso de medicamentos ou mortes por overdose.

A metodologia

A análise consistiu em passar a amostra de urina em um filtro para eliminar impurezas. Depois, é colocada no cromatógrafo líquido, em que é sugada e misturada com solventes, que ajudam a transportá-la.

Em seguida, os fármacos vão para o espectrômetro de massas, para identificar e quantificar os remédios. O processo é automatizado, acompanhado inteiramente (e previamente) pelos cientistas, em um computador.

Foram analisadas amostras de urina humana para detectar antidepressivos e antiepiléticos muito conhecidos no Brasil: Carbamazepina, Citalopram, Desipramina, Sertralina e Clomipramina.

Após a aplicação da metodologia, cientistas apontaram a importância de acompanhar a reação dos medicamentos presentes no organismo e notaram resultados essenciais na avaliação da eficácia de um tratamento.

O primeiro dado revelou que quando o paciente excreta uma quantidade alta de determinado remédio pela urina, pode indicar que o composto não surtiu o efeito desejado - isso propicia ao médico mudança de prescrição.

Outro dado apresentado pelos cientistas mostrou a preocupação do uso excessivo de alguns remédios para fins recreativos.

Nas últimas décadas, organizações de saúde em todo o mundo vêm chamando a atenção para problemas de intoxicações, o que comprova a relevância de estudos que avaliam os usuários e a ingestão acidental de remédios.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 4,4% da população mundial já tenha sofrido dessas patologias e a previsão é de que a depressão será o segundo transtorno humano mais prevalente em 2030.

Outro estudo realizado pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que cerca de 16,3 milhões de pessoas com mais de 18 anos sofrem de depressão no país, um aumento de 34,2% no período de 2013 a 2019.

No entanto, os tratamentos envolvem psicoterapia cognitiva, antidepressivos e, em alguns casos, até antiepilépticos, que estabilizam o humor.

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Simplificação e barateamento

Além de ser um processo mais simplificado, o uso de pequenos tubos barateou as análises. Esses tubos foram desenvolvidos a partir de óxido de grafeno e sílica, mais finos que os convencionais e com um custo muito menor que os encontrados no mercado.

O baixo custo do processo e a menor quantidade de solvente beneficiam a indústria, uma vez que experimentos são realizados constantemente, contribuem e estimulam a sustentabilidade (alguns compostos são nocivos e tóxicos ao meio ambiente).

É possível visualizar os resultados obtidos no trabalho através do artigo publicado na revista científica internacional Molecules.

O novo método de monitoramento, realizado pelo Instituto de Química de São Carlos (IQSC), já foi validado e está à disposição para ser utilizado em indústrias ou hospitais.

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Fonte:

- http://www.saocarlos.usp.br/cientistas-criam-metodo-que-simplifica-monitoramento-de-remedios-no-organismo/