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Orientação necessária

A resistência de bactérias a antibióticos é uma ameaça global à saúde pública. De acordo com estudo 
divulgado recentemente pelo governo britânico, dez milhões de pessoas morrerão por ano a partir de 
2050 por conta das chamadas superbactérias, mais do que o número atual de mortes provocadas por 
câncer. E alguns países emergentes, como o Brasil, poderão ser os mais atingidos pelo aumento no 
número de casos.

O controle de antimicrobianos foi necessário como uma tentativa de diminuir as taxas de resistência 
bacteriana, pois se corre o risco de que, em um futuro próximo, não haja mais antibióticos eficazes.
O uso desenfreado de antibióticos sem uma cuidadosa avaliação das suas indicações apropriadas pode 
acarretar o desenvolvimento de cepas bacterianas multirresistentes, levando a consequências graves, 
com efeitos diretos na problemática das infecções hospitalares. Além da resistência aos antimicrobianos, 
a presença de reações adversas constitui outro problema grave de saúde pública, causando 
hospitalização, aumento de tempo de internação e podendo ainda levar o paciente a óbito.

Entre os exemplos de reações adversas ao uso desenfreado de antibióticos, a professora do curso de 
Farmácia do Centro Universitário Newton Paiva, em Belo Horizonte, Carla Bonanato de Avelar, cita a 
ocorrência de diarreia, arritmia, mielossupressão e insuficiência renal.

Outro fator relevante relacionado à necessidade do controle rígido desses medicamentos são as 
interações medicamentosas, por exemplo, alguns antibióticos potencializam o efeito do anticoagulante 
varfarina, podendo causar hemorragia, além do uso de contraceptivos orais que pode resultar na 
diminuição ou perda da eficácia. Portanto, é importante ressaltar que a racionalização de antimicrobianos oferece a oportunidade de determinar seu uso apropriado nos casos para os quais estão indicados, e assim identificar situações em que seu uso seria impróprio.

O uso indiscriminado desses medicamentos aumentou de maneira tão drástica que, em 2011, a Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teve de adotar medidas rigorosas no controle desses fármacos 
com a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 20/11, como destaca a farmacêutica e mestranda em 
Biotecnologia da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Nadine Cunha Costa.

Em decorrência desses acontecimentos, somados a tantos outros, começou a se perceber que os 
antibióticos não estavam mais promovendo o efeito desejado aos tratamentos clínicos, então, a 
comunidade médica encontrava dificuldade na escolha de terapias antimicrobianas que fossem mais 
específicas e eficazes.

Receituário preciso

Devido à importância do controle do uso desse medicamento, a farmacêutica especializada em marketing 
de varejo da Ferrara Soluzioni, Tatiana Ferrara Barros, orienta que o receituário deve seguir as normas 
estipuladas pela RDC 20/11. Segundo essa legislação, o receituário desses medicamentos deve conter, 
obrigatoriamente, os seguintes itens:
• Nome completo do paciente;
• Idade do paciente;
• Sexo do paciente;
• Nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira 
(DCB);
• Dose ou concentração do medicamento;
• Forma farmacêutica;
• Posologia e quantidade; 
• Nome do prescritor ou nome da instituição;
• Número de inscrição no Conselho Regional;
• Endereço completo do prescritor ou instituição;
• Telefone do prescritor ou instituição;
• Assinatura do profissional;
• Carimbo;
• Data da emissão da prescrição.

“Segundo essa legislação, a prescrição deverá ser realizada em receituário próprio do prescritor, não 
havendo um modelo específico, em duas vias”, completa Carla.
A receita é válida por dez dias a contar da data da emissão, sendo proibida a venda após este prazo. 
Além disso, ela poderá conter outros medicamentos e não há limitação do número de itens. 
Outra informação importante é que, quando o paciente recebe uma prescrição para uso prolongado de 
antibiótico, ele poderá utilizar a mesma receita, dentro de um período de 90 dias, a contar da data de 
emissão, desde que, na receita, esteja mencionado “Uso Contínuo”.

Orientação ao consumidor

Os pacientes não procuram muitas orientações sobre o medicamento, pontua Tatiana. Entretanto, o
farmacêutico deve ser proativo e oferecer orientações e informações ao consumidor. A principal 
orientação é que o paciente não deve suspender o tratamento, mesmo ocorrendo a melhora dos 
sintomas, o que acaba acontecendo na maioria dos casos.

O regime posológico dos antibióticos está relacionado à manutenção do fármaco na corrente sistêmica 
para que os micro-organismos não desenvolvam resistência, conforme esclarece a professora titular e 
farmacêutica responsável pela Farmácia-Escola da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e professora 
titular do curso de Farmácia da Universidade de Guarulhos (UnG), Maria Aparecida Nicoletti. Daí a grande 
preocupação com o horário, a frequência e o período de administração destes medicamentos.
O usuário de medicamento tem de ter todas as informações necessárias para que ele possa fazer o uso 
racional de antimicrobianos e, portanto, está muito relacionado ao conhecimento/entendimento que a 
pessoa tem a respeito desta classe terapêutica.

“Na dispensação, o farmacêutico tem de estar certo de que mencionou todas as informações necessárias 
e, também, de que o usuário do medicamento as entendeu. Os horários devem ser estudados para o 
estabelecimento de uma farmacoterapia adequada, considerando os inúmeros fatores interferentes. Cada pessoa deve ser tratada individualmente, considerando o universo de características que apresenta 
naquele momento”, orienta Maria Aparecida.

Cada medicamento precisa ser tomado em um horário predeterminado para a obtenção do melhor efeito 
terapêutico e da redução nos efeitos colaterais. Não existe um horário único e universal para a 
administração de todos os medicamentos.

O horário deve ser estabelecido, considerando uma série de situações, por exemplo, se o usuário está 
tomando outros medicamentos, se é indicada a ingestão em jejum ou após alimentação, etc. As 
orientações constantes em bula devem ser obedecidas para a segurança e a eficácia do medicamento, 
além das recomendações médicas.

A falta de conhecimento sobre o tratamento pelo paciente compromete a obtenção de resultados e a 
melhora do quadro clínico, como alerta Carla. Enquanto os pacientes não forem devidamente informados 
sobre todos os passos do tratamento, do diagnóstico até o seu término, comprometendo a adesão, cada 
vez mais doenças serão reincidentes e resistências bacterianas serão mais presentes.

Deve-se ressaltar que a escolha do antibiótico e a explicação sobre o diagnóstico devida ao paciente são 
responsabilidades dos médicos, cabendo ao profissional farmacêutico avaliar as prescrições, propor o uso 
racional e praticar a Atenção Farmacêutica, proporcionando informações e orientações imparciais sobre a 
utilização dos mesmos.

É importante que, no processo de avaliação das prescrições, o estudo sobre as interações 
medicamentosas e interações dos medicamentos com alimentos sejam identificadas e sanadas, além de 
estabelecer, com o paciente, os esquemas posológicos que se adaptem melhor ao seu estilo de vida.
Geralmente, quando se inicia o uso de antimicrobiano, o doente apresenta sintomas como dor e febre. E 
logo nas primeiras doses do medicamento, as bactérias mais frágeis já começam a ser eliminadas e os 
sintomas melhoram. Nesse momento, a maioria dos pacientes, como relata Nadine, da UFT, cessa o 
tratamento, interrompe este antes do término, sendo então que as bactérias mais fortes continuam vivas e começam a se multiplicar novamente e os sintomas retornam.

Dicas sobre o uso correto dos antibióticos
• Utilizar antibióticos apenas quando prescrito por um médico ou cirurgião-dentista.
• Tomar o número correto de doses por dia e em intervalos regulares.
• Completar todo o ciclo de antibióticos, conforme prescrito, mesmo que o paciente esteja se sentindo 
melhor, para garantir que todas as bactérias sejam eliminadas.
• Não compartilhar antibióticos com outras pessoas.
• Não pular doses, nem tomar duas doses de uma vez para compensar uma dose esquecida.
• Armazenar os antibióticos conforme as orientações da bula.
• Não guardar antibióticos para utilização futura.

Medidas que o médico pode aplicar
• Campanhas educativas;
• Comunicação com o paciente durante o tratamento;
• Começar a terapia com antimicrobiano de baixo espectro, somente em casos específicos, iniciar com 
largo espectro; 
• Demostrar a importância do tratamento
ao paciente, facilitando a adesão; 
• Melhorar a legibilidade da prescrição.

Perigos da automedicação

O Brasil é campeão da automedicação. Medicamentos genéricos, similares ou de referência, com ou sem
prescrição, comprados em farmácias reais ou virtuais, sem precisar sair de casa. A opção é muito mais 
atraente e simples do que marcar uma consulta médica, como faz o alerta a professora do curso de 
Farmácia do Centro Universitário Newton Paiva.

Há muito que se fazer em termos de melhoria de conhecimento da população. Todas as ações, desde 
que praticadas com fundamentação técnico-científica, contribuirão em algum grau para a melhoria do 
conhecimento na área da saúde pela população. O País precisa urgentemente melhorar a qualidade de 
informação da população que, além de heterogênea, tem características distintas, dependendo da classe 
social a qual pertence. Por menor que seja a informação fornecida por meio de folders, jornais, banners 
ou outro veículo de comunicação, a população terá benefícios, comenta Maria Aparecida.

Mas o que pouca gente imagina, de acordo com as especialistas, é que os medicamentos são o principal
agente causador de intoxicação no Brasil, ocupando lugar de destaque nas estatísticas do Sistema 
Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sintox).

Do ponto de vista dos medicamentos da classe dos antimicrobianos, a Anvisa adotou providências no 
sentido de controlar a venda mediante a retenção de uma via da receita e espera, com esta medida, 
combater um grave problema de saúde pública que é o desenvolvimento de bactérias cada vez mais 
resistentes por conta do uso indevido ou incorreto dos antibióticos.

A automedicação poderá trazer vários malefícios ao indivíduo, como: mascarar os sintomas de males 
maiores que possam estar ocorrendo e, assim, colocar a vida da pessoa em risco; gerar outro problema 
de saúde que até então não existia; intensificar o problema já existente; interagir com outros 
medicamentos que o indivíduo esteja tomando, comprometendo a eficácia terapêutica; além de poder 
causar inúmeros outros.

Como os antibióticos são dispensados mediante prescrição médica, infere-se que não seja utilizado como 
automedicação. Entretanto, sabe-se que muitas vezes alguns familiares utilizam “sobras de 
medicamentos” e fazem seu uso indiscriminadamente. São atitudes como essas que irão comprometer 
não somente a saúde de quem está utilizando, mas terão impacto avassalador na resistência microbiana 
dos antimicrobianos de que a própria pessoa possa ser vítima em um futuro próximo.

Porém, para Carla, uma rigorosa supervisão sobre a venda e prescrição médica deveria atingir diversas 
outras classes de medicamentos, pois todos, inclusive aqueles de venda livre, não podem ser consumidos 
sem controle. Todos têm indicações e posologias específicas, além do risco de provocarem efeitos 
colaterais e interagirem com medicamentos ou alimentos, causando danos maiores à saúde.

“Eu sempre utilizei uma fala simples e rápida para conscientizar o porquê de ser tão importante usar
corretamente esse tipo de medicamento: ‘quando o antibiótico não é utilizado corretamente, se precisar 
tomar novamente este medicamento, ele não terá mais efeito’. Acredito que essa forma é mais eficaz do 
que explicar os mecanismos de resistência bacteriana a pessoas leigas”, pondera Tatiana.
A farmácia é sem dúvida o melhor lugar para se trabalhar com a conscientização do uso indiscriminado 
de antimicrobianos. Exigindo profissionais cada vez mais qualificados e preocupados com a saúde 
pública.

“Por exemplo, eu vejo muito isso acontecer, informativos sobre promoções, campanhas, lançamentos 
dentro das farmácias e dificilmente um informe como este: ‘Diga não ao uso indiscriminado de 
antibióticos’. É algo tão simples de se fazer e que, com certeza, chamaria a atenção do consumidor em 
pró da conscientização”, finaliza a farmacêutica e mestranda em Biotecnologia da Universidade Federal 
do Tocantins (UFT).

Outro aspecto que deve ser muito difundido, para Maria Aparecida, é a orientação correta do descarte de medicamentos (não somente o antibiótico, mas, também, os demais) que não serão mais utilizados, para evitar que outros possam fazer uso irracional dos medicamentos.

Orientações fundamentais
• Tempo de tratamento; 
• Quantidade de medicamento;
• Preço;
• Marca do medicamento;
• Tempo de duração do tratamento;
• Tomar o medicamento na hora correta;
• Não desistir da terapia no primeiro sintoma de melhora;
• Seguir o tratamento até o final;
• Em caso de formas farmacêuticas sólidas, tomar o medicamento com água;
• Não se automedicar;
• Na dúvida, procurar o médico 
ou farmacêutico.

Texto: Vivian Lourenço
Fonte: Guia da Farmácia